quarta-feira, 1 de junho de 2011

Doença

Ela morreu
como mulher ao saber
que seu marido amava um igual

Não esqueceu
e começou a prever
como seriam seus dias finais

Ela passou
um dia inteiro a escrever
vários ensaios de cartas de dor

Não demorou
até que um dia chegou
um jovem humilde falando de deus

E ela chorou
porque não tinha mais fé
Porque era vã toda crença

Seu falso amor
a implodiu e gerou
dentro de si a doença

Dia

Hoje é o dia de outro
e você nada sabe hoje de mim
Não abuse outra vez da tristeza
que o passado não tem senso de perdão

Revela a intravenosa,minha alma
Graceja comigo,meu vício
Me chame "desperdício de tempo",
do abismo à pupila dilatada

Nenhuma boa lembrança eu poupei
Amputei-as logo,doce amor
e agora torno à manca realidade

Você deixou-me à parte
das paredes que a encobrem facilmente

Opto

E ter mais uma vez de admitir
que me arrependo das coisas que eu fiz
parece doer

Me lamentar eternamente os anos que perdi
brincando de carniça com estranhos,
um atraso aparente

Eu estou deixando de lado
todo o outro lado que ainda reside em mim,
por ter um outro lado pendente
e evidentemente triste

Eu estou deixando de lado

No fim,sempre existe algo a renunciar
No esquecimento ainda muito a se pensar,
e eu opto por mim

E ter mais uma vez de admitir
que eu te amei por verdade e vi
o seu amor incondicional
a reclamar minha morte,d?
Meus sonhos nunca foram algo pra voc?
falindo-me em secreto

Eu estou deixando de lado
todo esse fardo que ainda latente em mim,
por ter um outro lado pendente
e evidentemente opresso

Eu estou deixando de lado

No fim,sempre existe algo a renunciar
No esquecimento ainda muito a se pensar,
e eu opto por mim

Baby Manequim

Me recuso a ser mais um
a alimentar seu ego,meu bem
Me recuso a ser mais um
a abastecer seu tanque de vaidade

Eu já saquei o que "cê" quer
com todo esse "provoquês"
Eu não sou mais aquele otário
que você viu da última vez

Mas,me acredite neném,
as palmas cessam após o show
Me diz que mais "cê" tem demais
e que ainda não mostrou

Que não é mais a novidade
e não te faz tão cobiçada assim
Me diz,meu bem,quem é que faz
você melhor que um manequim

Que Deus Me Livre

Que deus me livre
dos teus excessos de menina mimada
Do teu humor agitado e incisivo
Dos teus conceitos de plástico tão cínicos

Que deus me guie pra longe de você
Da gravidade do teu ego de Júpiter,
sugando a tudo e a todos sem perdão

Que deus me faça um homem são
e resistente aos teus encantos tão fúteis
e reclamáveis na carência

Que deus conceda a mim demência
e a decadência de um sozinho
se me passar mais uma vez à cabeça:
"Quero ficar no seu caminho"

Novembro

O teu amor me causa febre quando fúnebre
Como aprecio o teu ciúme,ó meu algoz
O quanto devo aos teus anseios tão imunes?
O quanto valho aos teus olhares mais impunes?

Desejo a ti tudo o que é bom,tudo o que é meu
Um mero e cris afago ao casto coração
O que prometo é quase certo,e a ti não meço
o tanto padecer por tua aceitação

Encare o óbvio
Aceite-o nada sóbrio,

o meu amor
que é falto em paz
até as entranhas

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Partida

Diga que as amarras já se foram

Dissolvidas pelo tempo,elas voam em dispersão

Diga que as verdades foram impostas,

que bobagem de criança é cura ao alcance das mãos


Diga que o pra sempre é andarilho,

que os amores no caminho não são pedras de tropeço

Conte com as estrelas que se conta

O futuro é preenchido pelo andar em recomeço


O efêmero das coisas gera graça no olhar do Homem Só

Transita pelo oco ser,e nele faz morada por desatenção

E,quando o despertar se encontra às portas,já não pode discernir

o que era sonho ou não


Hora de ir,

mas você não fez as contas

E a saudade,ainda exposta,

não se lava água e sabão


Hora de ir